AVALIAÇÃO EM CONTEXTOS DE ELEARNING

TEMA 1: A AVALIAÇÃO É

UM PROCESSO

FEEDBACK

Com a leitura de J. Pinto, A Avaliação em Educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas (2016), a primeira ideia que quero destacar é a avaliação como “prática pedagógica ao serviço das aprendizagens” (p.7):

  • com uma função mais informativa: como apoio ao aluno no seu próprio processo de aprendizagem;
  • com um papel mais formativo: contribuindo para um bom nível de motivação e consequentemente para uma melhor integração do saber, bem como ajudando o professor a criar melhores condições de aprendizagem;
  • com um papel mais formador: em que o aluno é o protagonista da sua aprendizagem, reconhecendo e compreendendo os seus pontos fortes e fracos, e arranjando meios para os ultrapassar, ou seja regulando a sua própria aprendizagem. A autoavaliação regulada é privilegiada. O erro é visto como processo de aprendizagem. E o feedback por parte do professor/organizador de contextos é essencial;
  • com um contexto institucional / escola onde os alunos “aprendam a aprender”(p. 25): o aluno como protagonista e responsável do ato de aprender. O professor surge com papéis novos em todo o processo. E a criação de novos panoramas curriculares.

De forma a salientar o caráter pedagógico da avaliação, como instrumento regulador da aprendizagem, aqui deixo um pequeno vídeo, que nos apresenta a diferença entre assessment of learning e assessment for learning.

A segunda ideia que gostaria de salientar é a avaliação como resposta a problemas e questões reais dos diversos atores num determinado contexto:

  • para tomar decisões;
  • para melhorar o desenvolvimento das ações e das relações numa dada situação social;
  • para gerar novas realidades;
  • para refletir criticamente sobre a própria ação avaliativa;

O FEEDBACK

O feedback não passa por informar, mas por ir informando os alunos do seu desempenho, tem duas funções muito importantes, na construção do conhecimento e consequentemente do processo de avaliação de cada aluno e do professor.

A primeira função é de reforço positivo ou valorização. Como professora do ensino profissional, constituído por alguns alunos que no ensino público foram colocados “no canto da sala”, ou se tornaram rebeldes por inadaptação, ou, em alguns casos mais graves, foram ignorados pelos mais diversos motivos, o reforço positivo é uma “arma” nas mãos de todos os professores. Quem não gosta de ser elogiado? Então quando se trata de objetivos atingidos, o resultado é normalmente a vontade de melhorar, ou pelo menos, de continuar a mostrar de que se é capaz.

A segunda função é a de apreciação construtiva individualizada, orientada e apoiada, que considero ser o ponto de partida para um ensino também ele mais individualizado e consequentemente mais eficaz. Tenho que referir que as minhas turmas têm entre 15 e 19 anos, o que torna muito mais fácil este tipo de apoio. Com esta apreciação, o aluno toma consciência das suas potencialidades e das suas fragilidades e com apoio do professor poderá potenciar as suas skills e ultrapassar barreiras, contribuindo para um processo mais equilibrado, prazeroso e bem sucedido.

Nas minhas aulas de inglês tento “mimar” cada um dos meus alunos, em palavras, com desafios em que o resultado é um prémio para a turma, entre outras ideias e em simultâneo, o feedback, contínuo sobre o desempenho individualizado é constante, resultando muitas vezes em repetição de atividades e esclarecimentos, em interajuda entre colegas ou inclusivamente em apoio fora da sala de aula.

Este feedback será avaliado de duas perspetivas. Como professora valorizo a evolução, a capacidade de resolução de problemas, competência a adquirir pelos jovens do século XXI, dos meus alunos. Por outro lado, o feedback que dou aos meus alunos faz-me repensar as minhas próprias práticas, permitindo-me refletir acerca das minhas abordagens e reestruturar tarefas, estratégias e pedagogias, adequando-as a cada turma, tendo em conta as características de cada aluno e à saída profissional dos mesmos.

INFORMAR, FORMAR & APRENDER

Informar, formar e aprender são indissociáveis. A relação professor-aluno passa por uma comunicação eficaz entre os dois stakeholders e resulta em níveis de motivação mais elevados, o que me leva de novo ao feedback. Formar é conhecer melhor cada aluno, é usar o erro como estratégia, é respeitar tempos de aprendizagem diferenciada. Aprender, do ponto de vista formador é ser o capitão do seu próprio navio e autoavaliar o seu percurso, corrigindo-o aprimorando-o, em que o professor é o “GPS” (o mapa dos tempos modernos).

Como avalio os princípios informativo, formativo e formador? Estabelecendo critérios bem definidos para cada unidade de aprendizagem, partilhando esses mesmos critérios de avaliação, trabalhando-os com os próprios alunos e orientando os percursos de cada um para que os consigam alcançar.

Relativamente às evidências, que Jorge Pinto denomina de transparência e respetiva função fiscalizadora da avaliação, nem sempre são fáceis de transformar em números, mas associados aos critérios, tento criar parâmetros com descritores respetivos e em função disso demonstrar a avaliação feita a cada aluno. Mas na minha cabeça, aquilo que fica e que registo é a evolução, o empenho, a capacidade de resolução de problemas, a proatividade, a interajuda e a autonomia. Como nos refere Jorge Pinto (2016), “O próprio processo de avaliação desenvolvido pelo aluno é já em si mesmo um momento de aprendizagem.”

AVALIAR = RESPOSTA A PROBLEMAS EM CONTEXTO

Quando me refiro a avaliação como resposta a problemas e questões reais dos diversos atores num determinado contexto, refiro-me ao ser humano no seu todo. O ser humano necessita de avaliar para decidir, para decidir fazer, para decidir parar, para decidir mudar.

Não querendo usar sempre a pedagogia como referência (embora estejamos num mestrado de pedagogia, logo é importantíssimo explorar bem esta área), vou dar um exemplo tão prático quanto comprar um carro. Ninguém compra um carro sem avaliar o risco, avaliar preços, avaliar características, avaliar marcas certo? Para quem tem filhos, não passa o tempo a testar os seus comportamentos? Testar é apenas mais uma palavra para avaliar! E com base nestas avaliações decidimos atuar, decidimos parar de fazer algo que estava errado, decidimos mudar de estratégia. Quando conhecemos uma pessoa, avaliamos os seus comportamentos e decidimos

investir ou não nessa relação, certo? Ou seja, passamos a vida a avaliar, mesmo que não lhe chamemos isso.

Como professora, quando tentamos uma estratégia, uma atividade, uma abordagem, uma pedagogia, verificamos (avaliamos) os resultados da mesma, e nesse momento temos noção se valerá a pena implementá-la de novo ou não e com quem, certo? E nunca se apanharam a avaliar as vossas próprias avaliações como professor? Eu, sempre. Estou a atribuir notas a alunos e estou em constante avaliação desse mesmo processo, para que seja justo, individualizado, respeitador, inclusivo e sobretudo para perceber o que correu bem ou não.

A AUTOVALIAÇÃO

Falar de autoavaliação é falar de aprender, não só por parte dos alunos, mas também do professor, e de todos os elementos da comunidade escolar (já não falando do ser humano na sua generalidade, para não perder o foco pedagógico deste mestrado).
Quando nos autoavaliamos estamos a refletir sobre:

  • O que fizemos como alunos.
  • O que os nossos professores fizeram connosco.
  • O que fizemos com os colegas.
  • O que os colegas fizeram connosco.

Ou seja, avaliamos interações com professores colegas, conteúdos e naturalmente pensamos no que poderia ter corrido melhor e sobretudo naquilo que nos deixa satisfeitos.

O “segredo” é orientar essa mesma autoavaliação, como fazemos com as nossas crianças, quando são mais pequenas: “Achas que isso está certo? Vais fazer isso outra vez? Não achas melhor pedir desculpa?”

Estas são frases tão típicas de pais e educadores e professores, que não são mais do que formas de encaminhar alguém para a autoavaliação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CLAS Network. (2015). Assessment For Learning vs. Assessment Of Learning [YouTube Video]. In YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=_wvRJyTExVU

Pinto, J. (2016). A Avaliação em Educação: da linearidade dos usos à complexidade das práticas. In Avaliação das aprendizagens: perspetivas, contextos e práticas (pp. 1–31). Universidade Aberta. LE@D. http://hdl.handle.net/10400.2/6114

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