AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

ECOSSISTEMAS DE APRENDIZAGEM DIGITAIS EM REDE

DESAFIO 1:

SOPA DE LETRAS: QUAIS AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE UM ECOSSISTEMA DE APRENDIZAGEM DIGITAL EM REDE?

https://www.educaplay.com/learning-resources/5348186-ecossistema_de_aprendizagem.html

Mas antes de nos dedicarmos ao desafio, necessitamos de saber um pouco mais do que estamos a falar. Aqui existem algumas pistas muito importantes.

O que é um ecossistema? E um Ecossistema de Aprendizagem Digital em Rede?

Para que a expressão ecossistema digital seja mais percetível, comecei por procurar uma definição resumida e clara de ecossistema. Embora tenha estudado este conceito algures durante o 2º ciclo, talvez seja importante relembrar alguns detalhes.

Então um ecossistema é uma comunidade de seres vivos em combinação com seu ambiente físico, “um conjunto de organismos que vivem em determinado local e interagem entre si e com o meio, formando um sistema estável. Cada ecossistema é formado por várias populações de espécies diferentes, constituindo, assim, uma comunidade.” Em todo o tipo de ecossistemas “há organismos vivos interagindo com o ambiente em que vivem”, denominados de bióticos, mas também componentes abióticos, não vivos, como a luz, a temperatura, os nutrientes, o solo e a água, componentes essenciais para a sobrevivência dos organismos e consequentemente do próprio ecossistema.

Ecossistemas são sistemas dinâmicos e um ecossistema estático seria um ecossistema morto

Equilíbrio é o estado estável de um ecossistema, no qual sua composição e identidade permanecem geralmente constantes apesar das flutuações nas condições físicas e na constituição da comunidade biótica. Os ecossistemas podem ser tirados de seu equilíbrio por perturbações, que são eventos disruptivos que afetam sua composição, que podem ser processos naturais (fogo) ou resultantes de atividades humanas (poluição)

Os ecólogos algumas vezes usam dois parâmetros para descrever como um ecossistema responde à perturbação. Estes parâmetros são resistência e resiliência. A habilidade de um ecossistema permanecer em equilíbrio apesar das perturbações é chamada de resistência. A prontidão do ecossistema em retornar ao equilíbrio após ter sido perturbado é chamada resiliência.

Pegando nesta definição e aplicando-a à aprendizagem no mundo digital, e nos artigos selecionados para este tópico, podemos então que ecossistemas digitais são:

O que e como são?

Sistemas inovadores, complexos, dinâmicos, adaptativos, férteis, vivos, diversificados, sinergéticos, personalizados, inclusivos e abertos que geram, fazem crescer e evoluir informação e conhecimento.

Onde estão?

Estes ecossistemas estão situados em ambientes digitais, com os quais todos os seus elementos interagem “por meio de ações, fluxos de informação e de transição”.(Porto & Moreira, 2017, s.p.) Aqui vivem espécies digitais, os personal digital assistants como os computadores portáteis, os smartphones, entre outros.

Quais os elementos que os constituem?

Os elementos que que os constituem são comunidades de aprendizagem constituídas por professores, tutores, alunos e conteúdos – considerados os elementos bióticos, e os abióticos, não vivos, que são, as tecnologias e as ferramentas de aprendizagem. Estes elementos interagem entre si e esta interação é a base da sobrevivência dos ecossistemas.

De que se alimentam?

Da cooperação, colaboração, participação e partilha do conhecimento e experiências. Como defende Dowes (2012), citado por Paulo Dias no vídeo de António Moreira (2018) “The community that forms around the courses or subjects are a lot more important than the content.”

Como e onde surgiram?

Surgem com a imersão tecnológica em que a sociedade atual em que encontra e que potencia novos processos de interação social e cognitiva. Esta sociedade tem como base a comunicação, os saberes múltiplos e dispersos, fontes múltiplas de produção de conhecimentos e o poder de escolha no que respeita à informação.

Com esta imersão dá-se uma transformação cultural, com o incentivo à procura de novas informações e novas conexões em meios dispersos. Esta transformação cultural deu origem ao que Jenkins (2009) denominou de cultura de convergência. (Porto & Moreira 2017).

“Se existem novas formas de viver, sentir e pensar, são precisas, também, novas formas de facilitar a aprendizagem.” (Porto e Moreira, 2017), e o impacto da Tecnologias de Informação e Comunicação na educação e nos processos de aprendizagem é significativo. Este impacto passa não só pelos suportes tecnológicos, mas sobretudo pelo pensamento educacional e pelas práticas pedagógicas. Temos então novos materiais, nova transmissão de conhecimentos e novos públicos, bem como novos papéis por parte dos seus autores, do educador e do aluno, e da relação entre eles.

Ou seja, o aumento do fluxo de conteúdos, aliado às mais diversas plataformas e a múltiplos sistemas de media foram o ponto de partida para a criação dos ecossistemas digitais.

Qual a sua arquitetura?

Segundo Wilkinson (2002) citado em Porto e Moreira (2017), um ecossistema digital deve fundamentalmente possuir:

  1. Uma taxonomia de conteúdos partilhada
  2. Um sistema de gestão de aprendizagem, tipo LMS
  3. Um sistema de gestão de conteúdos de aprendizagem, tipo LCMS
  4. Repositórios de objetos de aprendizagem
  5. Sistemas de integração e gestão de fluxo de trabalho (workflow)
  6. Motores de avaliação
  7. Motores de simulação e jogos
  8. Ferramentas de colaboração e discussão
  9. Elementos de suporte e orientação

Estes ecossistemas são limitados por fronteiras internas, como a própria construção de conhecimento, de objetivos educacionais e atividades por fronteiras externas, que são os aspetos sociais e culturais

Mas esta é a parte mais estrutural. Mas um ecossistema digital é muito mais do que isso. Não podemos dizer que exista uma estrutura ideal e única. Cada ecossistema terá que analisar os seus atores humanos (AH) e ter em conta quem são, como aprendem, o seu contexto sociocultural, as suas especificidades e potencialidades e os atores não humanos (ANH), potenciando as ações, interações e comunicação entre eles.

Na base de cada ecossistema digital de aprendizagem devem estar estudos das neurociências, da cognição e teorias de aprendizagem contemporâneas.

As práticas pedagógicas que os mesmos apresentam deverão ser flexíveis, adaptadas e diversificadas.

Onde crescem/evoluem/sobrevivem?

Os ecossistemas digitais crescem, evoluem e sobrevivem em contextos híbridos e multimodais, onde os seus elementos se relacionam e coexistem, não só fisicamente mas também digitalmente, presencialmente, em qualquer lado, ou qualquer momento, ou seja redes vivas, mutáveis que implicam uma comunicação reticular, conectiva e atópica.

Os ecossistemas digitais, como como o próprio nome indica, vivem em ambientes digitais, mas em simultâneo vivem no nosso mundo. Mas o nosso mundo não é apenas digital, é também analógico, onde o offline e o online se misturam, onde existem humanos e máquinas e onde o real e o virtual se confundem. O termo que surge várias vezes referido nas referências para descrever a atualidade é extremamente interessante, “onlife”. Logo, se os ecossistemas digitais fazem parte do nosso mundo e nós seres humanos fazemos parte dos mesmos, atrevo-me a dizer que são híbridos.

Estes ecossistemas crescem a partir de interações, pois como o professor António Moreira nos mostra na imagem retirada de uma palestra, na qual cita Latour (1994) são as “ações e interações entre atores humanos e não humanos em espaços e culturas analógicas e digitais” que são a base de uma educação híbrida e constituem-se “em fenómenos indissociáveis”.

Pretende-se que estas ações e interações criem diálogos pedagógicos, coerentes, convergentes e aliciantes. São diálogos desta natureza que poderão contribuir para o engajamento, pedagogia defendida por Edgerton (2001) e citada em Moreira e Rigo (2018). Esta pedagogia defende que, quanto mais engajados no processo educativo estão os alunos, mais bem sucedidos serão. E disso nós não temos grandes dúvidas, sobretudo pela experiência pessoal que temos vindo a ter neste mestrado, onde os diálogos, não constroem apenas conhecimentos e competências, mas também amizades inesperadas.

Contudo para que estes ecossistemas sejam sustentáveis, a mediação eficaz é essencial, não só a tecnológica, mas também a cognitiva e social, como defende Paulo Dias. Esta mediação constitui o suporte para estas interações, onde a inclusão é a palavra de ordem.

Uma mediação eficaz, ou seja, partilhada, tem como resultados a expansão dos processos de comunicação e acesso aos modelos de transmissão da informação, a motivação, a participação, a colaboração, a partilha, a confiança e a satisfação derivada do sentimento de pertença e como ultimate goal a construção de conhecimento individual e em rede e consequentemente das comunidades de aprendizagem.

DESAFIO 2: Comentar o diagrama que apresenta da Universidade Aberta como Ecossistema de Aprendizagem Digital em Rede.

Desafio 3: Comentar o diagrama que apresenta a UC de Ambientes Virtuais de Aprendizagem como Ecossistema de Aprendizagem Digital em Rede.

Para que este Blog possa ser um pequeno Ecossistema de Aprendizagem Digital em rede, a vossa colaboração e participação é importante. Fico à espera dos vossos comentários e atenta aos resultados da sopa de letras.

Célia Ribeiras

Referências

Dias, P. (2013). Inovação pedagógica para a sustentabilidade da educação aberta e em rede. Educação, Formação & Tecnologias – ISSN 1646-933X6(2), 4–14. https://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/399

Digital Health FOUSP – SAITE. (2020). ICTHE | José António Moreira | 04.12.2019 [YouTube Video]. In YouTube. https://www.youtube.com/watch?v=eCfvR2DD7ZU&feature=emb_logo

Moreira, J. A. (2018). Reitor UAb Paulo Dias Educação Aberta [YouTube Video]. In YouTube. https://www.youtube.com/watch?time_continue=5&v=a33lGsevPOI&feature=emb_logo

Moreira, J. A. M., & Rigo, R. M. (2018). Definindo ecossistema de aprendizagem digital em rede: percepções de professores envolvidos em processos de formação. Debates Em Educação10(22), 107. https://doi.org/10.28998/2175-6600.2018v10n22p107-120

O que é um ecossistema? (artigo) | Ecologia. (n.d.). Khan Academy. https://pt.khanacademy.org/science/biology/ecology/intro-to-ecosystems/a/what-is-an-ecosystem

Porto, C., & Moreira, J. A. (2017). Educação no ciberespaço. Novas configurações, convergências e conexões. In Educação no ciberespaço. Novas configurações, convergências e conexões. EDITORA UNIVERSITÁRIA TIRADENTES.

Schlemmer, E., & Moreira, J. A. (2019). Modalidade da Pós-Graduação Stricto Sensu em discussão: dos modelos de EaD aos ecossistemas de inovação num contexto híbrido e multimodal. Educação Unisinos23(4), 689–708. https://doi.org/10.4013/edu.2019.234.06

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