TECNOLOGIAS E FERRAMENTAS DA WEB 2.0 PARA A CRIAÇÃO DE AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM

VAMOS JOGAR MAIS UM JOGO?

Observe bem as imagens e responda ao seguinte questionário:

Agora já sabem do que vos vou falar…

CONTEXTUALIZAÇÃO

Novas tendências globais, sociais, políticas, tecnológicas e educativas e a presença da hiperconectividade.

Estamos em fase de mudança no ensino-aprendizagem.

Essa mudança é não só conceptual, mas também tecnológica.

A informação surge-nos de forma fragmentada, num mundo híper-fragmentado.

Estas mudanças abrangem não só as instituições, bem como todos os seus stakeholders, nomeadamente professores e alunos. O processo de Bolonha, o crescimento exponencial da aprendizagem online e a Internet exigem uma mudança ao nível institucional.

O que devemos mudar de imediato é a forma como compreendemos os alunos, a aceitar as ferramentas que fazem parte do seu mundo, e tentar falar a sua linguagem. Ou seja, o aluno no centro de tudo.

Mas para que haja uma mudança, existe um processo, não necessariamente linear, que implica pressões, catalisadores ou provocadores dessas mesmas pressões, passando por um momento de resistência e consequente contrapressão, para que se verifique uma mudança sustentada e inovação.

Na minha humilde opinião, a fase em que nos encontramos, relativamente ao uso da tecnologia e ferramentas da Web 2.0, no processo de ensino e aprendizagem, é a de resistência e contrapressão, que com a conjuntura da pandemia atual, poderá levar dar um salto significativo. Poderá, pois a fase da resistência é ainda muito presente, sobretudo por parte das instituições, professores e encarregados de educação.

Já J. Baudrillard afirmava “We are in a chameleonesque era, able to change but not able to become”. (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 4).

O momento

O momento é agora e mais do que nunca, agora mesmo. O distanciamento social implicou mudanças drásticas nas nossas vidas sociais, económicas, políticas e educacionais, com os professores e alunos confinados às paredes das suas casas. Talvez seja este o momento por que todos “esperávamos” para que fosse dada a importância e testadas tantas propostas de investigação, tantos media desacreditados, tantas ferramentas desconhecidas, tantas metodologias e práticas temidas, tantas pedagogias desvalorizadas.

Este é o momento para desenvolver novas ou emergentes literacias nos nossos alunos, futuros habitantes deste mundo hiperconectado, nomeadamente ancoragem (foco), filtro, a capacidade de se conectar, ser humano nessas conexões, criar e derivar significado, avaliar e autenticar informação, validar pessoas e conteúdos respeitando o seu contexto, o pensamento crítico, a criatividade e a aceitação de que tudo é incerto.

Com estas mudanças, pretende-se apenas que os “professores fiquem in, evitando que os alunos fiquem out.” (Moreira & Monteiro, 2015, p 382). Que passemos de uma mudança de inovação para a sistematização.

Informação, Conteúdo e Conhecimento

A informação, como referido anteriormente, surge de modo fragmentado. É uma amálgama que necessita de ser trabalhada, para que tenha sentido, para cada um de nós, num preciso momento, inserida num determinado contexto.

As diferentes formas de trabalhar essa informação são selecionar, adicionar e relaciona-la com outras, dialogar acerca da mesma, reestrutura-la, repensar essa informação e conectá-la.

Ou seja, cada um de nós, cria estruturas pessoais de coerência para compreender essa informação. Esta atribuição de coerência necessita de uma rede para sua validação, ou seja a validação de muitos , “the many” em vez de “the expert” (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 3)

A criação dessa coerência faz parte de um ciclo, que se inicia na criação da informação, que é acondicionada e armazenada, de acordo com as necessidades e interesses de cada indivíduo, que controla, sequência e estrutura a mesma.

É aqui que surge a aprendizagem dessa informação, que gerará conteúdo.

A aprendizagem necessita de informação para “opening a door, not filling a container” (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 3). É um processo social, situacional, reflexivo e multifacetado, que num mundo híbrido em que vivemos, deve ser “self-paced”, guiada e em colaboração ou cooperação, respeitando todos os seus domínios.

Em rede, essa aprendizagem é “a function of connections” (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 11), onde cada nova informação é um nó, que sob efeito cascata, alterará o significado de outros nós numa rede. As redes de pessoas, a tecnologia e a conexão são a base do conectivismo, teoria de aprendizagem que defende “It does not make sense to consider learning merely as an internal construction of knowledge. Rather, what learners can reach in the external network should be considered as learning.” (Dowes, 2019)

O indivíduo sofre alterações ao nível neural, conceptual e externo, em qualquer processo de aprendizagem e que em rede e de forma conectiva, permite segundo Laurillard a assimilação, a adaptação, a comunicação, a produção e a experimentação, que se estende para além das salas de aula e da estrutura de qualquer curso.

Os princípios da educação aberta e a educação em rede e a disponibilidade e flexibilidade de dispositivos, recursos e ambientes propiciam a oportunidade de uma aprendizagem colaborativa, também denominada por Smith (1996) de CoLearn (Collaborative Open LEARNing). Esta aprendizagem faz-se de forma inclusiva em qualquer tempo ou lugar, mediante condições técnicas.

Para que esta seja eficaz, são essencial o engajamento, a motivação, o contacto social, a auto-motivação, o apoio institucional, o acesso a recursos e as relações interpessoais de todos os stakeholders.

O segredo passa por escolher as técnicas, os media, as ferramentas e atividades facilitadoras de aprendizagem, adequadas aos alunos e ao contexto.

O resultado desta adaptação é a criação de conhecimento, que terá que fazer sentido para o indivíduo, pois é trabalhado internamente, negociado socialmente, e distribuído pelas redes que os indivíduos criam, nas quais “the value of connections formed exceeds the value of a particular information or knowledge flowing through a network at a particular time.” (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 31).

A Tecnologia digital, os Media e as Ferramentas

A tecnologia ao serviço da educação coloca alguns desafios, nomeadamente uma permanente atualização, mudanças profundas nas práticas e pedagogias, associação de ferramentas adequadas, fomentar a aquisição de competências e a reflexão, em simultâneo. Por outro lado, as suas potencialidades são imensas, nomeadamente a sua capacidade integradora, a flexibilidade e personalização que atribui aos ambientes. Para além disso, são muito eficazes para manter bons níveis de participação. Como nos referem Siemens e Tittenberger, “if they use it for fun, maybe we can get them to use it for school” (2009, p. 4).

A tecnologia ao serviço da comunicação, da criação, na partilha e na interação.

Esta integração pode ser feita em 3 categorias, nomeadamente a aumentada, a blended e a online.

A tecnologia, em conjunto com media, contribuirão para o desenvolvimento de alunos capazes de participar em ambientes complexos. Mas qual o media mais adequado? “Selecting media requires determining the most effective manner to presente the learning material and foster interaction in order to achieve intended learning goals. “ (Siemens & Tittenberger, 2009, p. 22).

Mais uma vez, a adequação é essencial, adequação ao objetivo de aprendizagem, às caraterísticas dos alunos e ao contexto onde estão inseridos.

Como media surgem o texto, o áudio, as imagens, o vídeo, os jogos e simulações, as palestras presenciais ou online e a integração.

As ferramentas existentes e disponíveis são inúmeras, com funções de acesso, afirmar presença, expressão, criação, integração e agregação, destacando as redes sociais, os blogs, os REA. O mais importante é que elas deem sentido à aprendizagem dos alunos.

Uma vez que os alunos, de uma forma geral, valorizam o contacto social, as redes sociais, embora, seja uma visão muito debatida ao longo dos anos, têm um potencial significativo, uma vez que permitem ao indivíduo “have a voice” “(Siemens & Tittenberger, 2009, p. 41), favorecendo conexões e aprendizagens interativas, a organização de conteúdos e a partilha de materiais, de conhecimento, de experiências, de aprendizagem participativa.

E como o professor António Moreira quer que tenhamos uma “voice”, o mesmo desafiou-nos a apresentar a nossa opinião através de uma ferramenta da WEB 2.0, o TRICIDER. Foi um debate vivo, ativo e muito envolvente. Esta foi a minha resposta para a seguinte questão:

ALUNOS E O PROFESSOR

O papel dos professores e alunos, numa co-aprendizagem em rede, interconectada sofre mudanças significativas.

OS ALUNOS

Os alunos têm o papel de ler, ouvir, apresentar o seu ponto de vista, procurar, analisar e juntar informação, praticar, criar e responder ou sobretudo agir.

A aprendizagem é eficaz se existir engajamento, motivação, contacto social, auto motivação, apoio institucional, acesso aos recursos de aprendizagem necessários e as relações interpessoais.

Esta aprendizagem é feita de forma colaborativa, com os professores, colegas e com os próprios recursos, em espaços digitais híbridos

O PROFESSOR

As 4 propostas apresentadas peor Siemens e Tittenberger (2009) são as de professor como responsável de um atelier (John Seeley Brown), como administrador da rede (Clarence Fischer), como concierge (Curtis Bonk) e a do próprio Siemens, como, curador. Estas 4 propostas partilham as ideias de que o professor guia, dirige e avalia. Não devemos esquecer que dar feedback, observar, apresentar a informação e organizar as atividades fazem, também parte do papel do mesmo.

De forma resumida “the role of teaching is one of guiding, directing and curating the quality of networks learners are forming. “(Siemens & Tittenberger, 2009, p. 13)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Dowes, S. (2019). Recent Work in Connectivism. European Journal of Open, Distance and E-Learning22(2), 121–131. https://www.downes.ca/cgi-bin/page.cgi?post=69966

Moreira, J. A., & Monteiro, A. (2015). Formação e ferramentas colaborativas para a docência na web social. Revista Diálogo Educacional15(45), 379. https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.15.045.ds01

Siemens, G., & Tittenberger, P. (2009). Handbook of emerging technologies for learning. University Of Manitoba.

http://www.tricider.com

http://www.quizizz.com

Publicado por Célia Ribeiras

Estudante da UAB, mãe, professora, filha e amiga...

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