Noção de Cibercultura por Pierre Levy

Mestrado em Pedagogia do Elearning

UC: Educação e Sociedade em Rede

Docente: Professor António Teixeira

in Flickr October 1, 2009

Tópico 3 – O Fenómeno da Cibercultura – Leitura de Pierre Levy

Para apresentar a noção de cibercultura, segundo a visão de Pierre Levy (2000) vou contar uma história, não como history, mas sim mais como story, sem pretensões factuais precisas, apenas resultante das leituras e da minha interpretação das mesmas.

Quem: O Homem

Todas as histórias começam com Era um Vez, e esta não vai ser diferente. Era uma vez o ser humano, a humanidade, cheia de desejos, entre os quais a comunicação se destaca, seja ela oral, escrita. Esta necessidade de comunicação é vital, intrínseca, vem com cada um de nós e é a base da evolução humana. Esta comunicação, simultaneamente real e virtual (real ao nível fonético e fonológico e virtual ao nível da significação, que habita na mente de cada um), pressupõe interação entre pessoas, cada vez mais pessoas. Como Levy (2000) nos refere, citando Albert Einstein, no século XX existe uma “bomba demográfica”, ou seja mais pessoas, mais informação, mais interatividade. Dessa interatividade resultam novidades e essas novidades são também as tecnologias: “As verdadeiras relações são criadas entre um grande número de atores humanos que inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas as técnicas.” (Levy, 2000). E estas técnicas, que me atrevo a renomear de tecnologias têm um objetivo essencial, que é o de aumentar a autonomia do ser humano, bem como as suas capacidades cognitivas.

Onde & Quando: Ciberespaço

Com o crescimento tecnológico, mais especificamente com os computadores, surge uma nova rede de interconexão, constituída por “nós” interligados num “computador único”, que está em todo o lado e em lado nenhum, como defende Pierre Levy, que ultrapassa a infra-estrutura material da comunicação digital, e inclui a imensidão de informações alimentada pelos humanos. Esta rede, denominada de ciberespaço, como dispositivo de comunicação interativa e comunitária evolui a uma rapidez alucinante e condiciona a sociedade, ou seja, abre algumas possibilidades, algumas opções culturais ou sociais que não existiriam sem ela.

Neste espaço que aceita tudo e todos, circula informação virtual, sem ligação permanente a um lugar ou um tempo, contínua, produzida e partilhada por cada “nó” de forma imprevisível, indeterminada, aberta, e transforma e reorganiza uma parte da conetividade global.

O Quê: Cibercultura

Com a ampliação do ciberespaço, com todas as suas características, cresce, em simultâneo, a cibercultura, como conjunto de técnicas, de práticas, de atitudes de modos de pensamento e de valores. Esta cibercultura é definida por Pierre Levy (2000) como sendo universal e sem totalidade. Ou seja, universal pois engloba tudo e todos, ou seja, implica a presença virtual da humanidade que “dá as mãos em redor do mundo”.

Não é totalizável devido à heterogeneidade dos seus atores, que produzem novas fontes de informação também elas heterogéneas. Esta cultura não tem uma finalidade estanque, nem externa, nem tem um conteúdo específico, é infinita.

Como & Porquê: Interconexão, Criação de Comunidades Virtuais, Inteligência Coletiva

Mas porque é que a cibercultura cresce e se expande? Claro que o homem está sempre no centro de tudo e são as suas interconexões que alimentam a cibercultura através de uma comunicação universal, sem fronteiras. De forma encadeada, num ciclo perfeito e apoiadas na interconexão, surgem as comunidades virtuais. Estas são construídas sob de interesses e conhecimentos comuns ou projetos mútuos, num processo de cooperação recíproca, transversal e livre. Como nos define Pierre Levy (2000), é um “lugar familiar de encontro e troca”. O terceiro princípio, que juntamente com os dois anteriores dão vida à cibercultura, sendo este o motor da mesma é a inteligência colectiva, como perspetiva mais espiritual, é a construção e manutenção de memórias comuns por cooperação flexível e transversal, que resultam de sinergias de competências, recursos e projetos. A inteligência coletiva é dinâmica, autónoma, emergente e constitui uma multiplicidade de conhecimentos virtuais com o objetivo de produzir e gerar e compartilhar sentido. Segundo Pierre Levy(2000), quantos mais processos de inteligência coletiva se desenvolverem, maior a apropriação das alterações técnicas e menor a exclusão ou destruição humana. Este ciclo tem como valores a autonomia e a abertura.

in Flickr August 13, 2012

Para finalizar, selecionei uma das definições da obra de Pierre Levy que considero mais completa. “A cibercultura é um processo inacabado de interconexão, de desenvolvimento de comunidades virtuais e de intensificação de inteligência colectiva fractal, reprodutível em todas as escalas e diferente em toda a parte”.(Levy, 2000, p.127). Apenas acrescento que não é a tecnologia que está no centro de toda esta questão, mas sim o Homem, com a sua curiosidade, o seu desejo de evolução técnica e informacional e a sua vontade de ligação.

3 Exemplos de Cibercultura

Partindo de uma das definições de Pierre Levy, na sua obra Cibercultura (2000), na qual ele defende que esta “é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre as relações institucionais, nem sobre a relações de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa e sobre processo abertos de colaboração. (Levy, 2000, p. 130), selecionei três exemplos que espelham esta noção de cibercultura. Estes três exemplos são:

  1. Plataforma de partilha: YOUTUBE:

Como missão, o YOUTUBE transmite o seguinte “We believe that everyone deserves to have a voice, and that the world is a better place when we listen, share and build community through our stories”. Ou seja, seres humanos interconectados, com interesses comuns, em comunidades virtuais, com o objetivo de construir conhecimento coletivo, seja ele musical, académico, pedagógico, ou outro que seja adquirido com a participação, envolvimento, contribuição ou partilha. Esta plataforma defende quatro valores que se encaixam na perfeição, naquilo que Levy nos descreve, nomeadamente a liberdade de expressão, liberdade da informação, liberdade de oportunidade e liberdade de pertença.

https://www.youtube.com/about/

  • Repositório Aberto : CASA DAS CIÊNCIAS

Qualquer repositório aberto é uma comunidade virtual, que resulta da interconexão, na busca, partilha e criação de informação coletiva. Este é um repositório em formato portal de base colaborativa, que nasce de um projeto académico de apoio aos professores do ensino básico e secundário, no ensino da matemática, e das ciências, recolhendo, validando e divulgando recursos digitais e incentivando professores e investigadores a divulgar os seus trabalhos nesta plataforma. Os mais de 2000 recursos educativos digitais nas categorias de Introdução às Ciências, Biologia, Física, Geologia, Matemática e Química são sujeitos a validação científica e pedagógica e partilhados sob a licença Creative Commons de acesso livre, totalmente gratuitos. Para além dos recursos digitais a Casa das Ciências possui a WikiCiências, o Banco de Imagens e a Revista de Ciência Elementar.

https://www.casadasciencias.org/

  • Rede social: Twitter

Uma rede social, seja ela qual for, é resultado de um conjunto de pessoas que se juntam em comunidades virtuais, pois têm algo em comum. Neste caso, o que une os utilizadores do Twitter é a “free expression and think every voice has the power to affect the world”, missão desta rede social. Esta comunidade virtual contribui, partilha, comenta informação, criando uma inteligência coletiva, em constante mudança, usando como base o ciberespaço.

https://about.twitter.com/en_gb.html

Célia Ribeiras

Levy, P. (2013, Maio 28). O que é o virtual? Retrieved from: https://www.youtube.com/watch?v=sMyokl6YJ5U&feature=youtu.be

Lévy, P. (2000). Cibercultura. Lisboa: Piaget.

Publicado por Célia Ribeiras

Estudante da UAB, mãe, professora, filha e amiga...

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